No universo da Segurança e Saúde no Trabalho (SST), a NR-35 é um dos principais pilares para a prevenção de acidentes em trabalho em altura, definido pela norma como atividades realizadas acima de 2 metros do nível inferior.

Nos últimos anos, porém, uma discussão tem ganhado força entre profissionais da área:
👉 reduzir internamente essa altura mínima para 1,80 m ou 1,50 m realmente aumenta a segurança e reduz acidentes?

Esse foi o tema central do Episódio 3 do Podcast Zona de Risco, uma parceria entre Máximo SMS e Innova Safety, com apoio do Estúdio Erm.

No episódio, Augusto Santos, CEO da Máximo SMS, e Raphael Padilha, consultor da Innova Safety, analisam criticamente essa prática cada vez mais comum nas empresas.


O falso dilema da altura mínima na NR-35

À primeira vista, a lógica parece simples:

“Se a NR-35 exige 2 metros, reduzir para 1,80 m tornaria o ambiente ainda mais seguro.”

Mas, segundo Raphael Padilha, essa abordagem pode gerar mais problemas do que soluções.

“Na minha concepção, essa ação pode gerar mais problemas do que soluções.”

O principal erro está em focar apenas no número, desviando a atenção do que realmente reduz acidentes:

  • Análise de risco bem executada

  • Escolha correta dos EPCs e EPIs

  • Sistemas de ancoragem adequados

  • Planejamento de resgate

  • Treinamento efetivo da equipe

Reduzir 20 ou 50 centímetros não garante que esses elementos estejam sendo corretamente aplicados.


Trabalho em altura, produtividade e burocracia

Outro ponto levantado por Augusto Santos é o impacto direto na produtividade operacional.

Em ambientes como:

  • paradas de fábrica

  • manutenção industrial

  • obras com múltiplas frentes simultâneas

ampliar o conceito de “trabalho em altura” pode gerar um efeito colateral perigoso: excesso de permissões de trabalho, burocracia e atrasos.

“Eu aumentaria essa demanda de liberações… isso não atrapalharia a produtividade?”

O risco real é diluir o foco:

  • Atividades de alto risco passam a receber a mesma atenção que tarefas de baixo risco

  • A gestão deixa de priorizar onde o perigo é realmente crítico

Resultado: mais papel, mais custo e nenhum ganho real em segurança.


NR-35 não é o problema — a gestão é

Os especialistas são claros:
👉 Nenhuma norma, sozinha, evita acidentes.

A NR-35 é uma ferramenta poderosa, mas sua eficácia depende de:

  • cultura de segurança forte

  • gestão de riscos madura

  • treinamentos práticos e recorrentes

  • fiscalização inteligente

  • aplicação real das medidas de controle no campo

Mudar arbitrariamente o limite de altura não substitui:

  • planejamento

  • engenharia

  • capacitação

  • liderança ativa em segurança


A verdadeira solução para reduzir acidentes em altura

O caminho mais eficaz não está em alterar números, mas em fortalecer pilares essenciais:

✔ Análises de risco específicas por atividade
✔ Treinamentos de qualidade, não apenas formais
✔ Sistemas de ancoragem corretamente projetados
✔ Planos de resgate viáveis e treinados
✔ Cultura de prevenção aplicada no dia a dia

Segurança em trabalho em altura se constrói na prática, não apenas no procedimento.


Assista ao episódio completo 🎙️

Quer aprofundar essa discussão e entender todos os argumentos técnicos?

👉 Assista ao Episódio 3 do Podcast Zona de Risco no YouTube da Máximo SMS:
🔗 https://youtu.be/hrdM7QbV_cs 

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